Sempre que oiço a expressão «greve de transportes» entro em pânico. Eu apanho autocarro, comboio, metro e eléctrico. Se um destes falha, lixa-me a manhã. A minha sorte é que venho sempre mais cedo do que devia (já ando a treinar para quando se começar a trabalhar meia-hora a mais!). Hoje tive de substituir o metro pelo autocarro e brincar às sardinhas em lata durante pouco mais de meia hora. Oh, como eu odeio a greve. Eu percebo que seja um direito. Eu percebo que a vida está difícil. Mas quando a vida fica difícil, não nos devíamos apoiar e ajudar uns aos outros, em vez de lixarmos as pessoas com todas as ferramentas que temos à mão? É que é muito fácil pensar: «Vão-me cortar isto, vou fazer greve.» Aposto que ninguém pensa naquela mãe que tem dois trabalhos e que mesmo assim tem de tirar da boca para dar aos filhos. Ou naquela senhora idosa com sérios problemas de mobilidade que só viaja duas paragens mas que não consegue mesmo andar a pé. Ou naquele estudante que tem um exame mesmo importante e no qual não o deixarão entrar se chegar atrasado. Olhamos muito para o nosso umbigo. E enquanto assim for, não serve de nada. A greve não devia ser um «Eu quero e acabou», devia ser um «Nós precisamos que nos oiçam».
Faziam melhor se seguissem o exemplo do Metro do Porto, que após considerar os prós e os contras da greve, optou por não aderir, por respeito aos utentes que transporta. Isto dá-me Esperança.

2 pacote(s) de açúcar:
Mas a realidade é apenas uma Súrya se a greve não incomodasse ninguém dava por ela, ninguém se preocuparia com os problemas dos funcionários do sector dos transportes e muito provavelmente ninguém sabia sequér que existem problemas. Eu fui uma das prejudicadas por esta greve e atrapalhou-me bastante o dia mas compreendo perfeitamente que é a única maneira de os funcionários dos transportes fazerem ver que não está tudo bem.
Viva, Uma cereja no topo!
Eu percebo que a greve tenha um propósito. E percebo que nestes tempos difíceis seja cada um por si.
Mas a verdade é que temos gente a reclamar (e com razão, entenda-se!) por privilégios perdidos, quando há outros que não o podem fazer, porque nem sequer têm trabalho...
Não defendo que cada um se deva contentar com o que tem porque devemos sempre lutar por mais e melhor, mas é certo que deverão existir outras ferramentas eficazes - além da greve - para chegar lá!
Enviar um comentário